sexta-feira, julho 27, 2012

A Análise: O Bisonte - "Ala"

Por vezes, temos carinho por uma banda não só pelo seu som, mas também pela sua atitude. A banda O Bisonte não se contém nas palavras, não fossem eles oriundos do Porto, mas a sua atitude não se limita a chamar os bois pelos nomes. Ofereceram o álbum para download gratuito e querem ganhar a vida a tocar ao vivo. Sem qualquer tipo de artifícios, Ala mostra bem a garra de uma banda formatada para tal.
Apesar de ser um concurso que tem como objectivo vender uma marca, o Rock Rendez Worten tem o mérito de nos ter revelado alguns grandes talentos, inclusivamente fora do espectro do rock. Dentro dessa mesma área os Bisonte foram os vencedores de 2010. Quem viu David Lobão na final absoluta não ficou indiferente à energia do magricelas com uma t-shirt dos Sonic Youth. Apesar deste tipo de concursos fazer pouco mais do que revelar talentos (o que já não é nada mau), serviu perfeitamente aos Bisonte, criando algum frenesim à volta de Ala. Justificado? Sem dúvida.
Riffs e voz são cuspidos furiosamente e atingem-nos como um comboio a alta velocidade. A parelha rítmica (bateria e baixo) também é pródiga em pormenores deliciosos. De alguma forma, os ovnis deste disco são "Imóvel" - uma quase assumida balada - e "E Depois Do Adeus". Os Bisonte deram a este tema uma roupagem que nem Paulo de Carvalho se lembrou de dar, apesar das mil e uma versões que já fez dele. À primeira audição estranha-se, mas depois entranha-se mesmo.
Se todo o rock cantado em português do novo milénio continua a parecer algo insípido para muitos, deviam dar uma oportunidade a O Bisonte. Uma banda genuína e sem especiais necessidades de atenção ou hypes. Uma banda sem merdas, portanto.
André Beda
Quando na final do Rock Rendez Worten, em 2010, na categoria de melhor banda rock vi David Lobão com uma t-shirt dos Sonic Youth, algo se despertou em mim. No entanto, O Bisonte, a banda representado por Lobão, de Sonic Youth só tinha a atitude punk e o barulho - e já é o suficiente! Se o nome do projecto, já de si, é curioso, muito provavelmente não haveria melhor descrição. A música d'O Bisonte é possante, sublinhe-se. Um rock pesadão, cheio de músculo, puro e duro. Uma total descarga de energia.
Se em 2010 a equipa do Ruído Alternativo era assaltada pelo bom rock em português dos eborenses Uaninauei, 2011 deu lugar aos portuenses O Bisonte. Um animal de grande porte com uma lírica crua e concisa. David Lobão não tem medo de arriscar, quer na forma como canta (o que não falta em Ala são gritos de um 'rockeiro' sem medos e pudor), quer na forma engenhosa e despreconceituosa como escreve (decorar as letras não é difícil à segunda audição). O Bisonte é um projecto que vive de riffs, de solos q.b. e de algumas baladas (há uma inesperada versão de "E Depois Do Adeus" de Paulo Carvalho). O baixo é omnipresente, as guitarras são acutilantes e as letras directas ao osso. Tudo num álbum curto que não peca pelo seu próprio tamanho.
Carlos Montês

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