segunda-feira, julho 30, 2012

Playlist: Programa 184 (29 de Julho de 2012)

1ª parte:
  1. System Of A Down - "Science Feat. Arto Tunçboyacıyan" (Toxicity) [2001]
  2. José Cid - "O Último Dia Na Terra" (10.000 Anos Depois Entre Vénus E Marte) [1978]
  3. Jeff Buckley - "So Real Feat. Michael Tighe" (Grace) [1994]
  4. Toranja - "Dá-me Ar" (Esquissos) [2003]
  5. Queens Of The Stone Age - "I Never Came Feat. The Main Street Horns" (Lullabies To Paralyze) [2005]
  6. The Jesus And Mary Chain - "Some Candy Talking" (Psychocandy) [1985]
  7. Death From Above 1979 - "Blood On Your Hands" (You're A Woman, I'm A Machine) [2004]
  8. Arctic Monkeys - "Dancing Shoes" (Whatever People Say I Am, That's What I'm Not) [2006]
  9. Censurados - "Não" (Censurados) [1990]
  10. Nirvana - "Something In The Way Feat. Kirk Canning" (Nevermind) [1991]

2ª parte:

  1. Pink Floyd - "Comfortably Numb" (The Wall) [1979]
  2. Linda Martini - "Dá-me A Tua Melhor Faca" (Olhos De Mongol) [2006]
  3. UHF - "(Anjo) Feiticeiro" (À Flor Da Pele) [1991]
  4. Audioslave - "Man Or Animal" (Out Of Exile) [2005]
  5. Metallica - "Bad Seed" (ReLoad) [1997]
  6. Born A Lion - "Warlords" (Bluezebu) [2009]
  7. Black Sabbath - "Lords Of This World" (Master Of Reality) [1971]
  8. Kyuss - "Thon Song" (Blues For The Red Sun) [1992]
  9. Corrosion Of Conformity - "My Grain" (Deliverance) [1994]
  10. Down - "Hail The Leaf Feat. Lil' Daddy" (NOLA) [1995]
  • Artista/Banda - "Nome Da Faixa" (Nome Do Álbum [EP, Single, Compilação, Box Set, Ao Vivo, Banda Sonora, Álbum Remix, ...]) [Ano];
  • Vermelho: Nacional;
  • Preto: Internacional;

domingo, julho 29, 2012

Destaque: Programa 184

Sejam bem-vindos ao último programa do Ruído Alternativo, que está no ar a partir de agora.
Esta é uma emissão especial, para a qual cada um dos autores do programa escolheu 10 discos que marcaram a sua vida. Uma viagem pelas experiências musicais de André Beda e Carlos Montês que marca o fim de quatro anos de emissões na Rádio Cartaxo. Aproveitamos também para avisar a quem ouve a emissão em directo que poderão não rodar na Rádio Cartaxo a totalidade das duas horas. Para ouvir o programa completo podem fazê-lo através do podcast que será colocado aqui no blog em breve.

Tudo isto para acompanhar a partir de agora em 102.9 FM Ribatejo ou em radiocartaxo.com para todo o mundo!

sábado, julho 28, 2012

Antevisão: Programa 184

Programa:
  • Emissão: 184
  • Artistas/Bandas nacionais: Censurados, José Cid, Linda Martini, UHF, entre outras...
  • Artistas/Bandas internacionais: System Of A Down, Nirvana, Pink Floyd, Down, entre outras...
  • Emissão Especial: Último Programa
Informações Adicionais:
Pós Programa:
Média:
Contactos:

sexta-feira, julho 27, 2012

A Análise: Machine Head - "Unto The Locust"

Tão difícil como fazer um segundo álbum que corresponda as expectativas de uma estreia auspiciosa é fazer o sucessor de um daqueles discos que, por norma, só se fazem uma vez na vida. Não é exagero, The Blackening é mesmo o OK Computer da carreira dos Machine Head. Safaram-se? No final, é justo dizer que os Machine Head saíram desta encruzilhada com mestria. Este tipo de álbuns referidos em cima resultam em duas únicas saídas: ou a banda fica acomodada ao som desse disco e repete-o até à exaustão (olá AC/DC!), ou pensa que a partir daí tem crédito para fazer o que lhe der na cabeça (olá Radiohead!). Apesar da segunda opção ser a mais interessante para quem realmente gosta de música, os Machine Head encontram uma terceira saída: abrem algum espaço a novas ideias, mas mantêm o ADN do seu som.
O arranque de Unto The Locust é bom com "I Am Hell", um misto de brutalidade com melodias épicas e serenas. Aliás, esse acaba por ser o fio condutor do disco, que mistura eficazmente ataques violentos e secções melódicas e calmas. Robb Flynn é hoje um vocalista muito mais completo, também capaz de acompanhar estas secções mais calmas. De resto, "Locust" é um single eficaz, "This Is The End" é um enorme tema de metal e a parelha "Who We Are" e "Darkness Within" aparece num registo muito diferente daquilo que são os Machine Head, mas não deixam de ser agradáveis surpresas. As músicas são dinâmicas e o álbum é diverso, o que faz com que não seja minimamente penoso ouvi-lo, até para alguém que não seja propriamente apreciador dos Machine Head.
Para terminar, uma breve referência às vendas do disco - algo a que não damos muita importância por aqui, mas que neste caso importa referir. Unto The Locust vendeu 17.000 cópias na primeira semana, entrando directamente para o número 22 do top norte-americano, o lugar mais alto alguma vez atingido pela banda de Oakland. Tudo isto representa um aumento de vendas de mais de 20% em relação ao antecessor The Blackening, lançado quatro anos e meio antes de Unto The Locust. Refira-se ainda que nesses quatro anos e meio o mercado de vendas de discos encolheu 45%. Absolutamente brilhante.
André Beda

A Análise: Os Dias De Raiva - "Parece Que Vai Chover"

Desde que o homem produz música que há música de intervenção. Independentemente do momento em que é feita, esta acaba por ser sempre pertinente, e é-o ainda mais neste momento. Parece Que Vai Chover d'Os Dias De Raiva chega mesmo a tempo da nuvem negra que paira sobre o mundo, mas é muito mais que crítica política. É um disco que põe o dedo na ferida e aponta defeitos ao que hoje é considerado socialmente banal.
Os Dias De Raiva, o nome diz tudo sobre o som e as temáticas abordadas pela banda de Carlão e companhia. Esta forte crítica ao momento social há pouco referido é sublinhada pela agressividade do punk hardcore - para que não restem dúvidas em torno do nome da banda. Tudo o que fora prometido no EP de estreia, editado pela iniciativa Optimus Discos, é confirmado em Parece Que Vai Chover. Temos nesta nesta banda um caso sério de genuinidade aplicada à música.
Passando um pouco ao lado da componente instrumental trazida por músicos de créditos mais que firmados, analisemos as temática líricas. Apesar dos assuntos corriqueiros (como o Facebook ou a senhora que fala muito alto ao telemóvel), a escolha das palavras não é a mais óbvia e directa: é crua e violenta ou delicada e cuidada quando tem de o ser. De resto, esta componente lírica fica bem ao nível do que Carlos Nobre nos tem habituado ao longo dos anos. Os temas "Benzodiazepinas" e "Sanguessuga" deverão constar entre as letras mais pessoais alguma vez escritas por ele.
Para a história fica mais um grande álbum do rock nacional. Uma edição de autor dos próprios Dias De Raiva para nos lembrar quão difícil é fazer música em Portugal.
André Beda
Reza a história que em 1994 os Da Weasel tinham lançado um EP de nome More Than 30 Motherf***s, um trabalho de rap rock com cheiro a hardcore e que revelava as raízes de Carlos Nobre (Pacman) e do seu irmão Jay-Jay, este último que pertenceu à mítica banda Braindead. À altura, para promoção desse clássico EP, saiu um vídeo onde Pacman se apresentava com a mesma imagem de Zack de la Rocha dos Rage Against The Machine. Já 16 anos depois, em 2010, surgiu o projecto Os Dias De Raiva, uma mais recentes surpresas da música portuguesa. São um super-grupo hardcore, uma banda que não está cá por acaso.
Pacman tem um dote indiscutível para criar letras em português (dos tempos dos Da Weasel) e grita como nunca ao longo deste trabalho. Dos tempos do hardcore/thrash nacional temos o seguro baixista Nuno Espírito Santo, que vem dos Braindead, uma das bandas mais bem sucedidas do início dos anos 90 em Portugal e com uma sonoridade perto dos Faith No More. Há ainda dois exímios guitarristas, João Guincho e Paulo Franco, a dupla forte dos Dapunksportif - uma banda de stoner rock e das mais pesadas na cena portuguesa. E por fim, o baterista Fred, um dos mais requisitados e afamados bateristas de estúdio nacionais.
Todos estes são os pontos de partida para Parece Que Vai Chover, o álbum de estreia do super-grupo depois do prometedor e aguardado EP homónimo pela editora online Optimus Discos. A banda, perdão... O super-grupo nacional cumpre à letra todo anseio do culto criado em 2010 e chuta, grita e rasga todo o seu poder durante 10 músicas em pouco mais de 30 minutos. Pacman e companhia criam - já! - um dos álbuns de culto nacionais do novo século. Punk rock hardcore de altíssima qualidade que utiliza a língua portuguesa e a transforma no barro de todo o disco. O que distingue Os Dias De Raiva dos demais projectos de hardcore é mesmo isso: o sábio emprego do português (com uma lírica ímpar na crítica à sociedade). E, claro, como não poderia deixar de ser, a grandiosa formação que compõe o grupo.
Os super-grupos, na grande maioria das vezes, nem sempre satisfazem as expectativas, mas este consegue-o. Tudo pela simples razão de estarem reunidos, no mesmo sítio, músicos inteligentes, de diferentes áreas e que têm em comum a raiva e a cultura hardcore que viveram nas suas adolescências. Voltaram aqui às tardes juvenis passadas na garagem a malhar nas guitarras. Assim transparece na sua música.
Carlos Montês

A Análise: The Allstar Project - "Into The Ivory Tower"

Segundo longa-duração para um dos grupos mais excitantes do rock underground nacional. As referencias dos Allstar Project situam-se algures entre os complexos e diversos universos do post-rock de do shoegaze. Apesar destes dois rótulos primarem pela continua exploração intensiva de cada tema, que tem como resultado (normalmente) faixas mais longas daquelas a que estamos habituados na música popular de massas, Into The Ivory Tower é o primeiro trabalho onde a banda realmente se deixa levar por esse espírito de jam. O primeiro onde baseiam toda a sua musica na complexidade do seu som, despido de algo mais que criação musical sem barreiras. Como em qualquer grupo instrumental, refrões pegajosos não entram na equação. Até poderia ser uma desvantagem, mas nestes tempos que vivemos já se pode falar num renovado interesse pela música puramente instrumental - facto que coloca os Allstar Project na crista da onda. Aliás, Into The Ivory Tower não passou ao lado da crítica (boas críticas em consagradas publicações nacionais), nem ao lado do público (20º lugar na lista de melhores de 2011 para os leitores da revista Blitz).
Musicalmente falando, há espaço para um pouco de tudo neste disco: nunca violinos e distorção de guitarra juntos tinham feito tanto sentido. Porém, Into The Ivory Tower não é apenas mais um disco barulhento. Há nele melodias semi-celestiais que nos transportam para outra dimensão. Nesses momentos, e por vezes até nos mais abrasivos, parece um álbum vindo de outro planeta. Como uma viagem cósmica plena de diferentes sensações sonoras. Referência especial ainda para o baixo, que se ouve com facilidade, mesmo com tamanha quantidade de distorção de guitarras, não se limitando a ser o carril rítmico do disco. É parte integrante do produto final. No final de rodar o disco, não podemos dar por perdidos os 53 minutos em que os Allstar Project colocam à prova as suas capacidades musicais, tendo criar algo fora do ordinário. E esse, meus amigos, deveria ser o objectivo de toda a musica.
André Beda
Apaixonar-se pela música instrumental nem sempre é fácil. A falta de uma voz, de um refrão ou de uma mensagem por vezes dificulta o processo de entendimento de uma canção. Pensar dá trabalho. No entanto, no reverso da medalha da música instrumental temos esta como uma fonte rica de inspiração à imaginação e vice-versa. As imagens que são criadas não são nítidas, os videoclips e histórias mentais que se criam são sempre diferentes e a fantasia e o sonho agradecem. O post-rock, no meio disto tudo, é um dos oásis desta matéria quase alucinogénica. Transforma o rock em música com tons clássicos e põe-nos a viajar.
Em Portugal, esta língua, que já leva umas duas décadas de desenvolvimento, tem sido claramente bem recebida. Os Linda Martini estão no trono (com uma veia punk/hardcore bem demarcada), enquanto nos últimos anos despontaram os Indignu e os Catacombe, nomes a consultar. No entanto, desde 2001 que é o super-grupo 'quase mistério' The Allstar Project que tem usado e abusado do dicionário post-rock em Portugal, mostrando-se como conhecedores absolutos das entranhas do género. Depois Your Reward… A Bullet (2007), o álbum estreia do conjunto, e de dois EPs (dedicados às ilhas das Berlengas e à Morte), Into The Ivory Tower é o nome do novo álbum. Trabalho que lhes rendeu, finalmente, os aplausos e o reconhecimento merecidos por toda a comunidade indie/alternativa nacional.
Obrigatória nos nos auscultadores de um melómano, os Allstar cresceram como grupo neste segundo disco. A engrenagem entre os músicos está melhor, a qualidade de execução, captação, gravação e produção estão soberbas e o resultado só poderia ser um grande disco; para 2012 e para este novo século da música portuguesa. Detalhado, minucioso e pormenorizado, tudo sinónimos que demonstram o imenso potencial, talento e brilhantismo dos ilustres despercebidos Ramon, Nuñez, Sawyer, Velásquez e Paco. Viagens sonoras equiparadas às dos Mogwai ou Explosions In The Sky - a/o playlist/saco em que os críticos estrangeiros - que já os conhecem - os colocam. Um disco que vale pelo seu todo e que ganha a cada nova audição. Uma banda de culto para estimar e conhecer.
Carlos Montês

A Análise: W.A.K.O. - "The Road Of Awareness"

Quatro anos e algumas mexidas na formação depois, os W.A.K.O. - We Are Killing Ourselves - regressaram aos discos. Ao contrário de algumas bandas de metal, valem (e muito) ao vivo, mas ouvir um disco dos W.A.K.O. é uma experiência que não deve ser colocada de lado. Numa altura em que estamos a "importar" bandas como Suicide Silence, Darkest Hour, Bring Me The Horizon e afins, impõe-se que se dê mais atenção ao que se faz cá dentro. Isto antes que os W.A.K.O. tenham de passar pela embaraçosa situação de rebentar primeiro no estrangeiro do que no próprio país. E não pensem que é exagero, apenas aguardem para ver.
The Road Of Awareness é um autêntico festival de biqueirada (utilizando a linguagem da gíria), mas nele podemos encontrar alguns toques de progressividade (ouvir "Shape Of Perfection"). A banda procura também inovar na estrutura dos riffs, dando espaço a diversas quebras de ritmo, tentando fugir, de alguma forma, à monotonia aparente que se vive hoje na música em geral. Com isto, e ainda que com um vocalista capaz de encarnar diversos registos, continuam a busca assumida pelos Pantera do som mais pesado que se pode produzir. Para constata-lo, basta prestar atenção a "Dissonant Dark Dance".
O ponto alto deste álbum misturado por Josh Wilbur (habitual colaborador de Lamb Of God e Hatebreed) reside no tema "Drifting Beyond Reality", inteligentemente escolhido para single. Há qualquer coisa de hipnótico naquele riff que nos faz abanar o cabelo (se o tivermos), daí a escolha inteligente e daí este parágrafo dedicado exclusivamente a este tema que anda muito perto do que de melhor se fez no metal 'tuga'.
Concluindo, The Road Of Awareness é um disco que pode abrir muitas portas aos W.A.K.O. e basta uma audição para darmos por bem gastos os anos que demorou a chegar-nos aos ouvidos. Agora partem à conquista dos E.U.A. e da Europa, pois este país começa a ficar pequeno para eles.
André Beda

A Análise: O Bisonte - "Ala"

Por vezes, temos carinho por uma banda não só pelo seu som, mas também pela sua atitude. A banda O Bisonte não se contém nas palavras, não fossem eles oriundos do Porto, mas a sua atitude não se limita a chamar os bois pelos nomes. Ofereceram o álbum para download gratuito e querem ganhar a vida a tocar ao vivo. Sem qualquer tipo de artifícios, Ala mostra bem a garra de uma banda formatada para tal.
Apesar de ser um concurso que tem como objectivo vender uma marca, o Rock Rendez Worten tem o mérito de nos ter revelado alguns grandes talentos, inclusivamente fora do espectro do rock. Dentro dessa mesma área os Bisonte foram os vencedores de 2010. Quem viu David Lobão na final absoluta não ficou indiferente à energia do magricelas com uma t-shirt dos Sonic Youth. Apesar deste tipo de concursos fazer pouco mais do que revelar talentos (o que já não é nada mau), serviu perfeitamente aos Bisonte, criando algum frenesim à volta de Ala. Justificado? Sem dúvida.
Riffs e voz são cuspidos furiosamente e atingem-nos como um comboio a alta velocidade. A parelha rítmica (bateria e baixo) também é pródiga em pormenores deliciosos. De alguma forma, os ovnis deste disco são "Imóvel" - uma quase assumida balada - e "E Depois Do Adeus". Os Bisonte deram a este tema uma roupagem que nem Paulo de Carvalho se lembrou de dar, apesar das mil e uma versões que já fez dele. À primeira audição estranha-se, mas depois entranha-se mesmo.
Se todo o rock cantado em português do novo milénio continua a parecer algo insípido para muitos, deviam dar uma oportunidade a O Bisonte. Uma banda genuína e sem especiais necessidades de atenção ou hypes. Uma banda sem merdas, portanto.
André Beda
Quando na final do Rock Rendez Worten, em 2010, na categoria de melhor banda rock vi David Lobão com uma t-shirt dos Sonic Youth, algo se despertou em mim. No entanto, O Bisonte, a banda representado por Lobão, de Sonic Youth só tinha a atitude punk e o barulho - e já é o suficiente! Se o nome do projecto, já de si, é curioso, muito provavelmente não haveria melhor descrição. A música d'O Bisonte é possante, sublinhe-se. Um rock pesadão, cheio de músculo, puro e duro. Uma total descarga de energia.
Se em 2010 a equipa do Ruído Alternativo era assaltada pelo bom rock em português dos eborenses Uaninauei, 2011 deu lugar aos portuenses O Bisonte. Um animal de grande porte com uma lírica crua e concisa. David Lobão não tem medo de arriscar, quer na forma como canta (o que não falta em Ala são gritos de um 'rockeiro' sem medos e pudor), quer na forma engenhosa e despreconceituosa como escreve (decorar as letras não é difícil à segunda audição). O Bisonte é um projecto que vive de riffs, de solos q.b. e de algumas baladas (há uma inesperada versão de "E Depois Do Adeus" de Paulo Carvalho). O baixo é omnipresente, as guitarras são acutilantes e as letras directas ao osso. Tudo num álbum curto que não peca pelo seu próprio tamanho.
Carlos Montês

quinta-feira, julho 26, 2012

A Análise: The Glockenwise - "Building Waves"

Há uns anos que Coimbra parece marcar passo quanto ao surgimento de novas bandas rock. Se até 2007 (sem precisão alguma) a terra dos estudantes era tida como a capital do rock em Portugal, nos últimos cinco anos (sem precisão outra vez) é Barcelos que tem batalhado por esse estatuto. E se a terra do galo mais famoso de Portugal não é já o centro nacional desta música dos diabos, para lá caminha. É de lá que têm surgido muitas das novas propostas para o rock nacional: Black Bombaim, Aspen, Killimanjaro, The Glockenwise, entre outras.
No meio de incontáveis grupos que a cidade nortenha tem para oferecer, para além dos inúmeros eventos e entidades que promovem o seu rock, existem os Glockenwise. A banda veio para a ribalta com o contagiante single "Bardamu Girls", cujo o vídeo transforma uma desinteressante aula de hidroginástica numa festa. O álbum de estreia, Building Waves, trouxe para a banda o reconhecimento por parte da MTV (os responsáveis do canal no Canadá até vieram a Portugal) e pôs a ganga de novo na moda.
E rapaz ou rapariga que gosta umas boas jeans claro que tem de ouvir garage rock. Em Building Waves ouvimos os Ramones, os nuggets dos anos 60 e sentimos mais uma vez o revivalismo de um género que trouxe à baila os The Hives, Eagles Of Death Metal ou até mesmo os The Black Keys. Os Glockenwise cumpriram o seu dever com este disco e construíram oito sólidos e capazes singles. Dos Beatles aos Stooges e dos Beach Boys aos MC5. Assim mandam a regras do rock de garagem.
Carlos Montês

A Análise: Men Eater - "Gold"

São um dos projectos portugueses mais excitantes dos últimos anos e estaríamos longe de imaginar, por alturas do lançamento de Gold, que o futuro dos Men Eater poderia tornar-se numa enorme e cinzenta nuvem de incerteza. Se ficarem por aqui, e embora não seja algo propriamente bonito de se dizer, graças a este Gold deixam um legado de três grandes álbuns. Por outras palavras, toda a sua discografia.
Embora o toque progressivo faça parte do ADN do som dos Men Eater, este disco está mais próximo do seu antecessor (Vendaval de 2009) do que da estreia. Apesar disso, sentimos um toque do memorável Hellstone no quase-instrumental "4:44 AM". De notar também, a voz ligeiramente mais suave de Mike Ghost ao longo de Gold, facto que resulta - de forma natural - em refrões mais orelhudos e cativantes.
Não se deixem enganar por estas últimas linhas. Se eu escrevesse este texto em inglês acerca deste disco, de caras, a expressão "heavy as fuck" torna-se até difícil não a utilizar após ouvir o disco, como puderam constatar. Cada álbum dos Men Eater é quase uma enciclopédia de riffs pesados e breaks vertiginosos. Neste disco, a melhor utilização destes elementos pode ser escutada em "Bracara".
Em suma, e correndo o risco de os adjectivos começarem a escassear, é um disco repleto de momentos de brilhantismo e raros de medianismo. Sabemos que acabando agora criaram um mito em sem redor que poderá ser constatado daqui a alguns anos, mas o que nós queremos mesmo é que os Men Eater regressem aos palcos e aos discos muito em breve. O rock nacional agradece.
André Beda

A Análise: Sean Riley & The Slowriders - "It's Been A Long Night"

De novo nos melhores do ano. Os Sean Riley & The Slowriders tiveram em 2011 uma missão complicada: fazer um disco tão bom quanto Only Time Will Tell de 2009. Aproveitando a aclamação e rendição da crítica ao seu segundo disco, a banda de Coimbra não perdeu muito tempo e apressou-se a canalizar as energias no novo disco (o terceiro). Poderia pecar pela rápida colocação no mercado e ter-se transformado numa compilação de lados b do antecessor - o que não aconteceu. Mas é do mesmo baú que a banda vai buscar as ideias.
Continuam a cena de rock 'n' folk, mas desta vez limparam, limaram e deram ainda mais lustro às canções. It's Been A Long Night apresenta-se como o lado mais brilhante e esperançoso do disco anterior. Esta é a resposta à típica pergunta que assalta todas as bandas da indústria discográfica: "a que soam os Sean Riley & The Slowriders?" Resposta: "a isto, a este álbum". A orquestração continua a ser ponto assente no som de Sean e dos Slowriders, que continuam a presentear-nos com música límpida e incrivelmente simples. Esta lufada de ar fresco que são os Sean Riley & The Slowriders, a cada disco que lançam, continua a ser surpreendente.
E a surpresa teima e não desaparece: "se isto não tivesse rótulo lusitano apostaríamos que eles são da América profunda". Bob Dylan, Neil Young e Nick Cave continuam a ser o pai, o filho e o espírito santo da banda [ordenar como mais convier] e a música apresentada pelo quarteto é categórica.
Carlos Montês

A Análise: Sidewalkers - "Black Room Feel"

Quem disse que Portugal não é capaz de fazer música tão boa ou melhor do que a que vem lá de fora?... Pensem em São Francisco de 2001 e façam uma viagem até a Alcobaça, dez anos mais tarde. Uma década depois da estreia dos norte-americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC), que se juntavam a um movimento revivalista do rock (tido na altura como morto) com os Strokes e White Stripes, é de Leira que surge um dos irmãos mais novos, os Sidewalkers. A banda estreou-se no ano passado com Black Room Feel, a crítica aplaudiu e ainda tiveram direito a uma tour nacional - é obra para os dias que correm!
Indie rock à descrição com a cicatriz carregada do rock 'n' roll negro dos BRMC que já se fazia notar com o EP de 2009 dos Sidewalkers. A FNAC já lhes tinha colocado o rótulo de "talento", a Antena 3 já os rodava e a sua música já era banda sonora de uma curta-metragem. Tudo isto antes de Black Room Feel. Um disco que confirmou a banda como um dos mais prepotentes grupos de rock portugueses. Um trio composto por Emanuel Severino, Renato Caetano e João Jerónimo que à formula, onde constam os inevitáveis BRMC, acrescentam o hard rock e a força motora de uns The Cult e ainda chamam para si a ressaca do post-punk, (re)vivida desde o início do novo século. Rock em tons de negro capaz de colocar muitas bandas norte-americanas e britânicas em tons de vermelho - de vergonha.
Carlos Montês

A Análise: Dead Combo - "Lisboa Mulata"

Não é novidade para ninguém que África é um dos territórios mais férteis no que à música diz respeito. Se lá fora há grandes nomes da música a explorar esse filão, como Damon Albarn e Flea, no nosso Portugal temos os Dead Combo a fazê-lo. O novo álbum da banda sabe e cheira a terra, provando que o título Lisboa Mulata não lhe é dado à toa.
Há não muito tempo tive a oportunidade de assistir a um documentário que ilustra bem o que a música portuguesa tem de melhor e mais original: o cruzamento de culturas. Lisboa é uma cidade virada para o mar e Portugal colonizou territórios na América do Sul, África e Ásia. Daí vem a grande riqueza da nossa cultura, que, não por raras vezes, tende a ser esquecida. Bem ciente desse riquíssimo cruzamento cultural parece estar uma "banda de guitarras" tuga. Sim, os Dead Combo baseiam o seu som em guitarras e não deixa de ser impressionante ouvir o que se pode fazer recorrendo a esse instrumento e... pouco mais.
Os característicos ritmos africanos são bem evidentes nos dois primeiros temas do álbum, mas nos momentos mais calmos que se seguem continuamos a sentir o calor do continente impresso na música dos Dead Combo. Lisboa Mulata é um álbum que apela ao nosso cérebro a criação de ambientes para cada música. "Ouvi O Texto Muito Ao Longe", com a preciosa ajuda de Camané, cheira Alfama por todos os cantos, enquanto "Marchinha Do Santo António" - apesar do nome - nos remete para um cenário paradisíaco de águas cristalinas. De cada vez que um disco nos desperta estas sensações relembra-nos porque razão gostamos tanto de música...
André Beda
Tó Trips e Pedro Gonçalves. Lisboa e África. Estes são os dados de mais um disco para a dupla que começa finalmente a obter a atenção merecida do estrangeiro. Eles são rock, eles são pop, eles são world music, eles são jazz, eles são blues e eles até são fado [nota: Camané empresta a voz em "Ouvi O Texto Muito Ao Longe", original de Sérgio Godinho]. Agora mergulham nos PALOP, vão para o meio da capital portuguesa, misturam-se com as pessoas, ouvem música de latitudes mais baixas, trocam a cor da pele e são africanos também!
Em Lisboa Mulata os Dead Combo mostram o seu esqueleto. Uma banda ecléctica do e para o mundo, made in Portugal e como só este país poderia produzir. Uma música sem tempo, de memórias e de esperanças, e com peças soltas que se unificam num trabalho arrebatador. A música é mais crua do que nos discos anteriores e os detalhes são mais profundos e menos óbvios. A execução é brilhante e o som produzido pelas guitarras, baixos e contrabaixos da dupla (e dos seus acompanhantes) é encantador. Lisboa Mulata é, no fim de contas, o reflexo do nosso blues: Fado e África.
Carlos Montês

quarta-feira, julho 25, 2012

Emissão Especial: Último Programa

Ao fim de quatro anos o Ruído Alternativo termina a sua viagem na Rádio Cartaxo. No próximo Domingo, dia 29 de Julho, vai para o ar uma emissão especial onde André Beda e Carlos Montês realizarão uma conversa informal à volta dos 10 discos que marcaram as suas vidas. Na primeira parte ouvir-se-ão as escolhas de Carlos Montês e na segunda de André Beda.
Duas horas que marcam o fim deste ciclo de quatro anos, numa emissão absolutamente a não perder! Em 102.9 FM para o Ribatejo e para todo o mundo em radiocartaxo.com!

segunda-feira, julho 23, 2012

Podcast: Programa 183

Playlist: Programa 183 (22 de Julho de 2012)

1ª parte:
  1. Black Sabbath - "Electric Funeral" (Paranoid) [1970]
  2. Cathedral - "Grim Luxuria" (The Ethereal Mirror) [1993]
  3. Witchfinder General - "Witchfinder General" (Death Penalty) [1982]
  4. Trouble - "Revelation (Life Or Death)" (Psalm 9) [1984]
  5. Saint Vitus - "White Magic/Black Magic" (Saint Vitus) [1984]
  6. Pentagram - "20 Buck Spin" (Relentless) [1985]
  7. Candlemass - "Crystal Ball" (Epicus Doomicus Metallicus) [1986]
  8. Count Raven - "Inam Naudemina" (Storm Warning) [1990]
  9. Cathedral - "Enter The Worms" (The Ethereal Mirror) [1993]
  10. Dawnrider - "Lisbon Thunder" (Alpha Chapter) [2007]

2ª parte:

  1. Crowbar - "All I Had (I Gave)" (Crowbar) [1993]
  2. Cathedral - "Midnight Mountain" (The Ethereal Mirror) [1993]
  3. Eyehategod - "My Name Is God (I Hate You)" (Dopesick) [1996]
  4. Acid Bath - "Tranquilized" (When The Kite String Pops) [1994]
  5. Sunn O))) - "O)))Bow 1" (Flight Of The Behemoth) [2002]
  6. Earth - "Tallahassee" (Pentastar: In The Style Of Demons) [1996]
  7. Reverend Bizarre - "Cromwell" (II: Crush The Insects) [2005]
  8. Witchcraft - "No Angel Or Demon" (Witchcraft) [2004]
  9. The Obsessed - "Hiding Mask" (Lunar Womb) [1991]
  10. Cathedral - "Ride" (The Ethereal Mirror) [1993]
  11. Sleep - "Dragonaut" (Sleep's Holy Mountain) [1993]
  • Artista/Banda - "Nome Da Faixa" (Nome Do Álbum [EP, Single, Compilação, Box Set, Ao Vivo, Banda Sonora, Álbum Remix, ...]) [Ano];
  • Vermelho: Nacional;
  • Preto: Internacional;

domingo, julho 22, 2012

Destaque: Programa 183

A 1 de Fevereiro de 1993 era lançado para o mercado o segundo longa-duração da banda de Oxford Cathedral.
Quando passam mais de 19 anos do lançamento de The Ethereal Mirror, um dos mais importantes do sub-género Doom Metal, o Ruído Alternativo revisita este trabalho e faz-lhe a devida homenagem.
As origens musicais estão nas décadas de 60 e 70, mas só a meio dos anos 80 se começou a ouvir falar no termo. Baseando o seu som em riffs mais lentos daqueles que eram moda no metal na altura (os do thrash-metal), bandas como Saint Vitus, Trouble e Pentagram começaram a dar que falar em terras do Tio Sam. Isto depois de bandas britânicas como Black Sabbath e Witchfinder General já terem dado uma dimensão mais negra e pesada ao rock de tendência psicadélica de Cream, Jimi Hendrix, Blue Cheer ou Deep Purple.
Apesar do público estar mais concentrado em sonoridades agressivas como o punk, o thrash ou o harcore - que germinava nas cenas regionais um pouco por todos os Estados Unidos - a influência desta estética prolongou-se até aos dias de hoje. Derivações como o stoner-rock, o metal gótico, o sludge, o drone, a introdução de elementos do Doom Metal no post-rock ou black metal comprovam a preponderância deste tipo de música no rock mais contemporâneo - revivalismos à parte.
Numa fase avançado do desenvolvimento do Doom, em 1993, a sonoridade é devolvida à Europa. Especial destaque para as ilhas britânicas onde emergiam os Cathedral com The Ethereal Mirror. Depois do lançamento deste clássico, a banda formada por Lee Dorian em 1989 - depois de se fartar da velocidade do grindcore dos Napalm Death - daria largas à criatividade. Afastou-se da sonoridade dos dois primeiros discos e enveredou por caminhos mais psicadélicos e ambientais. Recorde-se ainda que a banda anunciou a sua retirada da música para este ano, estando ainda previsto o lançamento de um novo álbum.
Destacado:

  • "Grim Luxuria";
  • "Enter The Worms";
  • "Midnight Mountain";
  • "Ride";

sábado, julho 21, 2012

Antevisão: Programa 183

Programa:
  • Emissão: 183
  • Artistas/Bandas internacionais: Black Sabbath, Pentagram, Crowbar, Sleep, entre outras...
  • Emissão Especial: Álbum Revisitado - Doom Metal
Informações Adicionais:
Pós Programa:
Média:
Contactos:

sexta-feira, julho 20, 2012

Ruído Alternativo N'"O Povo Do Cartaxo" (XLI)


Hoje, dia 20 de Julho, está nas bancas mais uma edição do jornal local O Povo Do Cartaxo!

Esta semana, no espaço de opinião do Ruído Alternativo, André Beda e Carlos Montês dividem os créditos no texto "Até Breve E Boas Audições". Recordamos que este será o nosso último artigo produzido para o jornal.

A não perder na rubrica de opinião do Ruído Alternativo n'O Povo Do Cartaxo!

segunda-feira, julho 16, 2012

Playlist: Programa 182 (15 de Julho de 2012)

1ª parte:
  1. Bloc Party - "Octopus" (Four) [2012]
  2. The Antlers - "Drift Dive" (Undersea [EP]) [2012]
  3. Spiritualized - "Little Girl" (Sweet Heart Sweet Light) [2012]
  4. The Killers - "Runaways" (Battle Born) [2012]
  5. Band Of Horses - "Knock Knock" (Mirage Rock) [2012]
  6. Tame Impala - "Apocalypse Dreams" (Lonerism) [2012]
  7. The Vaccines - "No Hope" (The Vaccines Come Of Age) [2012]
  8. Mission Of Burma - "Dust Devil" (Unsound) [2012]
  9. The Parkinsons - "Good Reality" (Back To Life) [2012]
  10. Aerosmith - "Legendary Child" (Music From Another Dimension!) [2012]
  11. Lynyrd Skynyrd - "Last Of A Dying Breed" (Last Of A Dying Breed) [2012]
  12. Dapunksportif - "Fast Changing World" (Fast Changing World) [2012]
  13. Kabala - "Happy Again" (---) [---]
  14. Dream Circus - "Going Down" (Land Of Make Belive) [2012]

2ª parte:

  1. Katatonia - "Dead Letters" (Dead End Kings) [2012]
  2. Serj Tankian - "Reality TV" (Harakiri) [2012]
  3. NZZN - "Trip Fixe" (Trip Fixe [Single]) [1981]
  4. Tarantula - "Freedom's Call" (Freedom's Call) [1995]
  5. W.C. Noise - "Each One In It's Place" (Loud & Mad) [1992]
  6. The 9th Cell - "Freak" (Metamorphic - Vol. II [Álbum De Covers]) [2011]
  7. Kill Devil Hill - "War Machine" (Kill Devil Hill) [2012]
  8. Yawning Man - "Encounters With An Angry God" (Pot Head [EP]) [2005]
  9. Om - "Unitive Knowledge Of The Godhead" (Pilgrimage) [2007]
  10. Ufomammut - "Infearnatural" (Oro: Opus Primum) [2012]
  11. Baroness - "Take My Bones Away" (Yellow & Green) [2012]
  • Artista/Banda - "Nome Da Faixa" (Nome Do Álbum [EP, Single, Compilação, Box Set, Ao Vivo, Banda Sonora, Álbum Remix, ...]) [Ano];
  • Vermelho: Nacional;
  • Preto: Internacional;

domingo, julho 15, 2012

Destaque: Programa 182

Sejam bem-vindos a mais duas horas de rock e a mais uma Ruído Alternativo na Rádio Cartaxo!
Neste programa há a destacar a muita música nova que vai passar nesta emissão: The Vaccines, Bloc Party, The Killers, The Parkinsons, Aerosmith, Dapunksportif, Dream Circus, Serj Tankian, Baroness, entre muitos outros. Haverá espaço ainda para clássicos em português com NZZN, Tarantula e W.C. Noise.
Tudo isto e muito mais para conferir a partir de agora em 102.9 FM Ribatejo ou em radiocartaxo.com para todo o mundo!

sábado, julho 14, 2012

Antevisão: Programa 182

Programa:
  • Emissão: 182
  • Artistas/Bandas nacionais: Dream Circus, The Parkinsons, W.C. Noise, Tarantula, entre outras...
  • Artistas/Bandas internacionais: Bloc Party, Aerosmith, Katatonia, Baroness, entre outras...
Informações Adicionais:
Pós Programa:
Média:
Contactos:

quarta-feira, julho 11, 2012

Podcast: Programa 181

1ª parte:
Clica aqui para ouvires numa nova janela
2ª parte:
Clica aqui para ouvires numa nova janela
Dados:

A Análise: Heavenwood - "Abyss Masterpiece"

Começando por pôr tudo em pratos limpos, faça-se a apresentação dos Heavenwood: começaram em 1996, lançaram desde então quatro álbuns e são a segunda banda portuguesa de metal com mais sucesso a nível internacional, logo a seguir aos Moonspell. Como se fazia adivinhar, Abyss Masterpiece foi bem recebido no estrangeiro e, desta vez, também em Portugal. Talvez tenha sido o álbum dos Heavenwood que mais deu que falar dentro de portas.
Abyss Masterpiece poderá muito bem resumir a aceitação gozada pelos Heavenwood fora de portas. O universo da banda é bastante próximo ao dos Moonspell, o que não deixa de ser curioso: os dois casos de exportação mais bem sucedidos do metal nacional têm tudo a ver com o universo gótico - algo que, ainda mais curiosamente, é tipicamente britânico. Entrando na perigosa, mas útil, área das comparações, podemos definir os Heavenwood como uns Paradise Lost orquestrados, dada a quantidade de arranjos que vamos encontrando no disco, dando-lhe uma sonoridade ainda mais negra.
Ainda assim, nenhum arranjo orquestral se compara à introdução de voz feminina de "Leonor", que poderia muito bem ter sido retirada de um filme de Hitchcock. Este tom gótico é apimentado com grandes doses de peso, emprestadas por guitarras fortes e vozes poderosas. No entanto, há sempre a outra face da moeda, com muitos refrões arquitectados com base em vocais limpos.
Mais uma vez, é preciso que uma banda faça pela vida lá fora para que seja reconhecida no seu próprio país. Refira-se que foi este o caminho que os Moonspell fizeram. Os Heavenwood recolhem agora alguns dos frutos do trabalho que vêm desenvolvendo ao longo dos anos e, quem sabe, poderão um dia gozar de uma popularidade que gozam hoje os próprios Moonspell. Temas como "Once A Burden" e "Winter Slave" fazem-nos esperar o melhor desta banda.
André Beda

A Análise: Confront Hate - "Diabolical Disguise Of Madness"

Como muitos de vós, conheci os Confront Hate com a sua versão para "Sem Saída", incluída em Covers, Cu & Mamas - um disco de tributo aos Mata-Ratos. Se a versão dos Confront Hate não andava muito longe do original, o poderio deste tema chamou-me a atenção para a banda e para este seu disco de estreia.
Que se faça justiça louvando a qualidade do som do disco. Faço-o neste texto, como poderia fazê-lo em qualquer outro referente aos discos nacionais de 2011. Chegamos a um ponto em que não se distinguem os estúdios nacionais dos britânicos, americanos ou suecos. Nenhuma banda nacional necessitará de gravar no estrangeiro por motivos de qualidade de equipamento.
Seguindo o caminho trilhado pelos Pitch Black, os Confront Hate fazem em Portugal aquilo a que se convencionou chamar «thrash moderno» (ouvir últimos álbuns de Testament, Heathen e Pitch Black). O álbum arranca suave com uma intro, mas logo depois começa a violência. Em termos técnicos não há muito a apontar ao grupo: ouvimos em Diabolical Disguise Of Madness alguns bons solos, ainda que não sejam grandes malabarismos técnicos. "Love Grows Cold" e "Diabolical Disguise Of Madness" são bons exemplos disso mesmo: o primeiro é um instrumental de tom épico muito bem construído e o segundo contém um riff capaz de mandar paredes a baixo. No entanto, Diabolical Disguise Of Madness não se esgota na agressividade. Os Confront Hate revelam no tema que fecha o disco, "Feeling The Silence", uma faceta completamente diferente do que tinha sido o álbum até então, com os vocais limpos a aparecerem pela primeira vez e o som a tomar um cariz mais progressivo. Quando o vocalista David Rosa utiliza o gutural, torna-se difícil não pensar em Randy Blythe.
O revivalismo do thrash já lá vai, mas sempre que sentirem saudades dele podem voltar a este Diabolical Disguise Of Madness. Uma proposta com referências do passado, mas tendo noção que fazem música no presente. Esta banda promete...
André Beda