quinta-feira, julho 23, 2026

Obituário: HUGO "VICKY" MARQUES (1975-2026), baterista português

Morreu Hugo “Vicky” Marques. O baterista lisboeta vivia actualmente na Arruda dos Vinhos e foi um músico de estúdio e de palco, tendo colaborado com diversos nomes e projectos musicais. Tinha 51 anos e faleceu hoje, 23 de Julho de 2026, vítima de doença prolongada - avança a Arte Sonora.

No que ao rock diz respeito, destacam-se os DSeason, uma banda de rock alternativo da qual o músico fez parte, com Rod Arena e Luiz Arantes, e que em 1997 lançou o álbum Super Eco. A solo contam-se a edição de dois álbuns de rock (e prog) instrumental, onde outros géneros musicais são abraçados - tal como ao longo de toda a sua carreira: Resiliência(s) (2019) e Sonhos E Outras Viagens (2022).

Vicky Marques participou em centenas de concertos e gravações, colaborando com diversos nomes da música portuguesa e não só; abraçando géneros como a pop, o jazz, o rock, entre outros. Contam-se música e actuações ao vivo com: Mariza, Paulo Gonzo, Paulo de Carvalho, Mafalda Veiga, Mário Laginha ou Gilberto Gil.

Podcast: Ruído Alternativo #822 (23-07-2026)

domingo, julho 19, 2026

Obituário: JENNIFER FINCH (1966-2026), baixista das L7


Morreu Jennifer Finch. A norte-americana, baixista das L7, tinha 59 anos e faleceu ontem, dia 18 de Julho. No início da semana passada, a artista tinha revelado o diagnóstico de uma forma grave de cancro no cérebro, o que a forçou a afastar-se da digressão de despedida da banda, marcada para o Outono. Após o anúncio, a família e os amigos lançaram uma campanha de crowdfunding para apoiar os custos médicos, que rapidamente ultrapassou a meta inicial de 350 mil dólares, aproximando-se dos 400 mil em muito pouco tempo.

Jennifer Finch iniciou a sua carreira no começo da década de 1980, integrando as Sugar Babydoll - um grupo que contava também com Courtney Love e Kat Bjelland, futuras fundadoras das Hole e Babes In Toyland, respetivamente.

Em 1986, Finch juntou-se às L7, um ano após a banda ter sido fundada por Donita Sparks e Suzi Gardner. Além de assumir o baixo, Jennifer também contribuiu frequentemente com a sua voz em vários temas.

Embora as L7 fossem originárias de Los Angeles, o grupo passava muito tempo em Seattle no final dos anos 80 e início da década de 90, precisamente no auge da ascensão do grunge, o que acabou por ligar a banda diretamente ao movimento. Nessa época, Jennifer chegou a namorar com Dave Grohl, quando este já era baterista dos Nirvana.

Finch acabou por deixar as L7 em 1996, motivada por problemas financeiros e de saúde, além do impacto emocional causado pela morte do pai e de um amigo próximo que trabalhava como roadie da banda.

Em 2014, as L7 regressaram ao ativo com a formação clássica, incluindo Jennifer. Juntas, lançaram o álbum Scatter The Rats em 2019.

Ao longo da sua carreira, a musicista tocou ainda em projetos como OtherStarPeople, The Shocker, Betty Blowtorch e Sex In Progress. Com as L7, participou em cinco dos seus sete álbuns, com especial destaque para Bricks Are Heavy (1992). Produzido por Butch Vig, o disco imortalizou o maior sucesso comercial da banda, o hino "Pretend We're Dead".

Além da música, Jennifer Finch teve um papel crucial como fotógrafa documental, registando de forma única os bastidores e a evolução da cena punk e do rock alternativo a partir de meados dos anos 80.

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Recorda aqui a Colecção RA com o álbum Bricks Are Heavy em destaque:

sábado, julho 18, 2026

Podcast: Extra #36 - Woodstock À Portuguesa: Vilar De Mouros, 1971 (18-07-2026)

1971 foi um importante ano para a música portuguesa. O médico António Barge (que dividia a sua vida entre Alvalade e aldeia de Vilar de Mouros) tinha um sonho e conseguiu contretizá-lo: trazer turismo para o Minho (numa altura em que o concelho de Caminha era muito mais isolado do que hoje é), mas, acima de tudo, juntar no mesmo local o folclore, a música erudita, o fado e a "música moderna" para a juventude (com o lato pop-rock). Demorou três anos a ser construido, mas no Verão de '71, inspirado no Woodstock de 1969, conseguiu concretizá-lo. O primeiro festival de música moderna em Portugal havia chegado!

Sabemos que o profissionalismo não pautou este que o "pai dos festivais portuguesa" e que foi a boa-vontade e o voluntarismo que levou avante este evento que decorreu em três fins-de-semana diferentes. Um festival que foi olhado de lado por muita gente (numa época de cinzentismo de uma ditadura fascista), mas que também garantiu um lugar na história da música nacional pelo esforço de tantos outros (do público aos artistas, passando pela organização) que conseguiram trazer "a liberdade", o amor e paz (tão caractisticamente hippies) por dois dias a Portugal, 7 e 8 de Agosto de 1971, em Vilar de Mouros, Caminha (Viana do Castelo)!

Temos muitas histórias para contar e passamos ainda a pente fino o cartaz rock deste Festival Vilar de Mouros de 1971, no Extra de hoje! Para ouvir aqui:



terça-feira, julho 14, 2026

Obituário: MIKE BROWNING (1964-2026), ex-baixista e vocalista dos Morbid Angel


Morreu Mike Browning, músico fundador dos Morbid Angel, ligado durante toda a vida à cena death-metal da Florida. O norte-americano, tinha 62 anos e faleceu ontem, dia 13 de Julho, de causas ainda não reveladas.

Michael George Browning nasceu nessa mesma cidade a 26 de Maio de 1964, tendo começado a tocar bateria aos 13 anos. Foi um dos membros fundadores dos Morbid Angel, pioneiros do death-metal, onde tocou bateria e cantou até 1986 - deixando gravado o álbum Abominations Of Desolation, que era para ser o disco de estreia do grupo, mas acabou por só ser lançado em 1991. Apesar disso, quase todos os seus temas foram sendo regravados para os primeiros LPs dos Morbid Angel, já sem Browning na formação.

Nas décadas seguintes, o baterista continuou extremamente activo, com passagens por grupos como Nocturnus, Acheron, After Death ou Nocturnus AD - uma sequela da sua primeira banda pós-Morbid Angel, que se destacava por ter uma lírica mergulhada na ficção cientifica e ser uma banda de death-metal com um teclista.

Podcast: Ruído Alternativo #819 (14-07-2026)

quinta-feira, julho 09, 2026

Obituário: BONNIE TYLER (1951-2026)


Morreu Bonnie Tyler. A cantora galesa faleceu ontem à noite, 8 de Julho, no Hospital de Faro, aos 75 anos. Bonnie estava internada no hospital algarvio desde 6 de Maio, tendo chegado a estar em coma induzido. Tudo isto, depois de um tratamento dermatológico no Reino Unido ter desencadeado uma infecção e, posteriormente, uma perfuração intestinal.

Nascida Gaynor Hopkins, Bonnie Tyler foi dona de uma das vozes mais reconhecíveis da música, tendo marcado as décadas de 1970 e 1980. Ao longo de mais de 50 anos de carreira foi indicada para prémios Grammy e Brit Awards.

A cantora deixa 18 álbuns de estúdio, que vão da música pop à música country, passando pela música rock. Destaque ainda para a sua voz rouca e potente que ficou marcada em temas como: "More Than A Lover", "It's A Heartache", "Total Eclipse Of The Heart", "If You Were A Woman (And I Was A Man)", "Believe In Me" ou "Here She Comes"; e ainda no álbum e êxito Faster Than The Speed Of Night de 1983.

Bonnie Tyler tinha uma longa relação com o Algarve, onde residia grande parte do ano, desde o final dos anos 80, na sua casa em Albufeira. Chegou a gravar na região um dos seus álbuns no final da década de '70, como disse ao The Guardian, sem nunca revelar qual.

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Recorda aqui Bonnie Tyler no Extra dedicado aos 70 anos da Eurovisão:

Podcast: Ruído Alternativo #818 (09-07-2026)


terça-feira, julho 07, 2026

Obituário: ROGER "B. WAR" SVENSSON (1965-2026), ex-baixista dos Marduk


Morreu Roger Svensson. O sueco, ex-baixista dos Marduk, tinha 60 anos e faleceu no passado dia 4 de Julho, de causas ainda não reveladas. 

Roger "B. War" Svensson fez parte dos Marduk de 1992 a 2004, tendo contribuído para as gravações de oito álbuns da banda de black metal sueca, desde o seu segundo álbum de estúdio, Those Of The Unlight (1993), até World Funeral (2003).

Para além do pseudónimo de B. War, o músico também gravou e tocou sob o nome de Bogge. Svensson foi ainda membro fundador da banda sueca de death metal (e mais tarde viking metal) Allegiance, que lançou três álbuns entre 1996 e 1999, e onde actuava como guitarrista e vocalista. Integrou também a banda de horror punk Devils Whorehouse, entre 2000 e 2004, além de outros projetos musicais.

Podcast: Ruído Alternativo #817 (07-07-2026)


sábado, julho 04, 2026

Podcast: Extra #35 - Carlos Paião: Consulta Rock Ao Médico Pop (04-07-2026)

Chega aos cinema portugueses este Verão Playback - Um Filme Sobre Carlos Paião, a 6 de Agosto. Esta biopic, realizada por Sérgio Graciano, vai retratar a vida e a carreira do compositor que, em 10 anos, marcou para sempre a música popular portuguesa com sua genialidade e criatividade musical, com destaque para a sua capacidade de brincar com a linguagem e a língua portuguesa.

Sabemos bem que só pontualmente é que Carlos Paião criou música do universo rock (uma matéria cara ao Ruído Alternativo), porém o seu legado é tal que há matéria suficiente, entre tributos e versões rock, para lhe dedicarmos um Extra. E este Extra vai ser um podcast com um rápido olhar para a sua história, mas, acima de tudo, para as suas canções (e foram mais de 300 numa década!).

The Legendary Tigerman, a sua banda e Rafael Ferreira (o actor e intérprete do músico no filme) apresentam ainda, na próxima semana, um espectáculo dedicado a Paião nos três dias do festival NOS Alive... e temos assim os ingredientes (e a validação) para vos trazer este ângulo a mais um Extra, com a homenagem a um músico que nos deixou cedo, em 1988, com apenas 30 anos.



sexta-feira, julho 03, 2026

Obituário: SHAUN GLASS (1968-2026), músico dos Broken Hope, Soil e Repentance


Morreu Shaun Glass. O músico norte-americano tinha 57 anos e faleceu no passado dia 1 de Julho, na sequência de complicações de um AVC que sofreu a 31 de Maio. A notícia foi avançada por Rob Flynn dos Machine Head e confirmada, poucas horas depois, pela sua esposa.

O músico norte-americano, nascido em 1968, foi uma das figuras de proa da cena metal de Chicago ao longo de quatro décadas. No início da década de 1980 fundou os Terminal Death, banda de death metal fundadora da cena local, e depois juntou-se aos Sindrome, ajudando  a dar mais um passo na fundação das bases do subgénero, sempre como guitarrista. Tocou também baixo nos Broken Hope, onde tocou militou durante um par de anos e deixaria dois álbuns influentes. 

Em 1997 fundou os Soil, onde finalmente conseguiria algum sucesso comercial. Passou uma década no grupo e saiu, a mal, em 2007, algo que não impediu a antiga banda de lhe prestar homenagem no momento da sua morte.

Dirge Within e Repentance foram os seus dois últimos projectos, tendo reactivado os Broken Hope pelo meio.