Morreu esta segunda-feira, 21 de Setembro, Jorge Palma, uma das figuras mais marcantes, influentes e respeitadas da música popular e do rock português do último meio século. O músico, compositor e pianista tinha 76 anos e faleceu em Lisboa, no Hospital de São José, onde se encontrava internado na sequência de complicações de saúde.
Nascido em Lisboa, Jorge Palma revelou desde cedo um talento para o piano, iniciando aos seis anos a formação erudita no Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1963, com apenas 13 anos, alcançou o segundo lugar no Concurso Internacional de Piano em Palma de Maiorca. Contudo, na segunda metade da década de 1960, o fascínio pelo jazz, pela folk e, sobretudo, pelo rock britânico dos Beatles levou-o a virar-se para a música popular, integrando formações pioneiras do rock e pop-rock português como The Dandy, Jets, Extravaganza e os Sindicato - grupo onde partilhou palco com nomes como Rão Kyao e Vítor Mamede. Com estes Sindicato actuou no histórico Festival de Vilar de Mouros em 1971, no mesmo ano em que lançaram o single Smile.
Estreou-se a solo em 1972 com o single The Nine Billion Names Of God (editado pela Orfeu e inspirado no conto homónimo de Arthur C. Clarke). Nesse mesmo período, ao conhecer o poeta José Carlos Ary dos Santos por intermédio de Fernando Tordo, começou a escrever as suas primeiras canções em língua portuguesa. Trabalhou ainda em arranjos e produções para artistas tão diversos como Tonicha, Paco Bandeira e até Amália Rodrigues.
Recusando-se a combater na Guerra Colonial, viveu exilado na Dinamarca entre Setembro de 1973 e Junho de 1974. De regresso a Portugal após a Revolução dos Cravos, concorreu ao Festival da Canção de 1975 e lançou no mesmo ano o seu álbum de estreia a solo, Com Uma Viagem Na Palma Da Mão, gravado em pleno Verão Quente.
Foi músico de rua em cidades francesas, italianas e suíças, enquanto lançava discos em Portugal: "Té Já (1977), Qualquer Coisa Pá Música (1979), Acto Contínuo (1982), Asas E Penas (1984) e Lado Errado Da Noite" (1985), Quarto Minguante (1986) e Bairro Do Amor (1989) que resultaram num cancioneiro ímpar com temas incontornáveis como "Frágil", "Jeremias, O Fora Da Lei Mensageiro", "A Gente Vai Continuar", "Deixa-me Rir", "Bairro Do Amor" e "Estrela do Mar".
Apesar de uma década de 1990 sem edições de originais em nome próprio - período em que concluiu o curso superior de piano no Conservatório e fundou o supergrupo Palma's Gang ao lado de membros dos Xutos & Pontapés e Rádio Macau -, o seu estatuto junto do público manteve-se intocável. Lançou o registo acústico ao piano, Só (1991), e, mais tarde, com os discos de estúdio: Jorge Palma (2001, galardoado com o Prémio José Afonso), Norte (2004), Voo Nocturno (2007, disco de platina que incluiu o mega-êxito "Encosta-te A Mim"), Com Todo O Respeito (2011) e Vida (2023).
Jorge Palma foi condecorado em 2020 pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e venceu o Prémio Pedro Osório da Sociedade Portuguesa de Autores em 2024. Ainda em Abril passado recebeu o Prémio Carreira dos Prémios Play, defendendo os valores de Abril. Deixa 13 álbuns de estúdio em mais de 50 anos de carreira, tendo ainda participado nos Cabeças No Ar, Rio Grande e nos Tais Quais.























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