sexta-feira, fevereiro 06, 2015

A Análise: Tombs - "Savage Gold"

Depois de dois primeiros álbuns certeiros, especialmente o já aclamado Path Of Totality de 2011, os Tombs chegam ao terceiro disco a um pico de aclamação universal. Savage Gold é também uma tentativa de descolar a banda do rótulo post-metal, abraçando uma sonoridade mais abrasiva e com muitos ritmos que lembram o black metal. Cada vez mais esclarecidos sobre que banda querem ser, os Tombs chegam à mistura perfeita, onde há mais poder de fogo, mas também espaço para música a tender para o espacial e progressivo. AB

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

A Análise: Nothing - "Guilty Of Everything"

Guilty Of Everything é a estreia absoluta para os norte-americanos Nothing que lhes valeu, no final de 2014, a colocação em listas de melhores canções do ano (ouvir "Bent Nail" ou "Endlessly"). O disco apresenta nove temas que conquistaram os corações dos fãs do imaginário de My Bloody Valentine e que imprimem um pouco mais de peso à fórmula consagrada entre o underground britânico no final da década de 80. Repleto de distorção, este álbum coloca, acima de tudo, a melodia e o sentimento na ordem do dia. CM

A Análise: Keep Razors Sharp - "Keep Razors Sharp"

Supergrupos são coisas a que música portuguesa é pouco dada. E quando olhamos para o rock/metal nacional, temos mesmo de ser muito atentos para os descobrir [mas existem]. Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate) dividem-se entre Lisboa e Coimbra e foi na noite que se reuniram para o projecto Keep Razors Sharp. A amizade é a cola deste grupo que ruma para o mesmo sítio - entenda-se: rock psicadélico de fino (re)corte, solto, negro e envolvente. Precioso e brilhante. CM

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

A Análise: Killimanjaro - "Hook"

Depois de um EP que prometeu muito e que nos deixou a salivar por mais, os Killimanjaro deram cartas em 2014 com Hook. Os Iron Maiden psicadélicos de Barcelos (ponham os Maiden de Paul DiAnno no espectro do psicadelismo e saberão do que falo) estreiam-se em cheio nos LPs com um disco capaz de nos relembrar o que há de melhor num disco de rock: criatividade, entrega, guitarras, ritmo e voz  rouquenha. Hook é uma das revelações do ano, que coloca o power-trio no mapa das bandas a levar muito em conta nos próximos anos. AB

A Análise: Capitão Fausto - "Pesar O Sol"

2014 é o ano da confirmação dos Capitão Fausto. Os lisboetas deixaram para trás o bem engomado Gazela (2011), pegaram nas referências actuais do psicadelismo [olá Tame Impala] e na referência maior José 'Zé' Cid [versão 10 000 Anos Depois Entre Vénus E Marte] e criaram Pesar O Sol. Este revivalismo do rock com camadas que marcou década de 60 não é um "Maria vai com as outras" pelos Capitão Fausto; é - isso sim! - um álbum onde imprimem a portugalidade e, acima de tudo, uma lírica sobre o ser-se humano. Ei-los crescidos. CM

terça-feira, fevereiro 03, 2015

A Análise: The Lazy Faithful - "Easy Target"

Mais um banda do Porto que se notabiliza nos melhores do Ruído Alternativo, os The Lazy Faithful são um quarteto muito jovem que não têm medo de revelar as suas influências: os nuggets das garagens da década de 60 e The Who ou MC5 à cabeça. A fidelidade e a solidez da música são espantosas - facto que salta ainda mais à vista se olharmos para as idades dos músicos. Easy Target parece - isso mesmo - fácil, mas torna-se, logo à estreia, num raro exemplar no rock mais recente em Portugal. CM

Podcast: Programa 222 (1 de Fevereiro de 2015)

1ª parte:

Programa 222 - Ruído Alternativo (2015-02-01) 1ª Parte by Ruído Alternativo on Mixcloud



2ª parte:

Programa 222 - Ruído Alternativo (2015-02-01) 2ª Parte by Ruído Alternativo on Mixcloud

A Análise: Serushiô - "I'm Not Lost .​.​. Just Don't Want To Be Found"

À estreia, o duo do Porto Serushiô aponta armas para o melhor do rock nacional da actualidade. Sérgio "Seru" Silva (voz/guitarra) e José "Zé" Vieira (guitarra/percussão e um one-man band) juntam a si alguma maquinaria e transformam o seu blues rock em algo maior do que a soma das partes. Uma fantástica produção capaz de ombrear com as maiores bandas internacionais do género. A música de Seru e de Zé Vieira é de fino recorte e apresenta riffs que se colam prontamente ao ouvido. I'm Not Lost .​.​. é um dos maiores e mais recentes tesouros nacionais. Urge ouvir. CM

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

A Análise: Black Bombaim - "Far Out"

É notável o que os Black Bombaim fazem para se reinventarem a cada álbum. Far Out é a continuidade da evolução demonstrada em Titans, à qual acrescentam muito mais elementos ao seu stoner psicadélico. O fio condutor continuam a ser as longas jams, durante as quais vamos ouvindo cada vez mais ganchos inesperados e imaginativas introduções de instrumentos. É curioso que o som da banda se tem afastado cada vez mais do EP de estreia de 2007. Os putos dessa altura hoje são homens e a sua música cresceu ainda mais. AB

A Análise: Mão Morta - "Pelo Meu Relógio São Horas De Matar"

Um novo disco da instituição de culto nacional Mão Morta será sempre um dos acontecimentos do ano. Pelo Meu Relógio São Horas De Matar abandona os princípios mais convencionais de Pesadelo Em Peluche, de 2010, e abraça de novo a poesia como arma de arremesso. Um disco declaradamente político, para despertar consciências, que teve a sua cota de polémica com o videoclip, para alguns provocador e explícito, do single "Horas de Matar". É o regresso dos Mão Morta às palavras que são disparadas como balas e ao rock n' roll duro. AB