quarta-feira, julho 11, 2012

A Análise: Heavenwood - "Abyss Masterpiece"

Começando por pôr tudo em pratos limpos, faça-se a apresentação dos Heavenwood: começaram em 1996, lançaram desde então quatro álbuns e são a segunda banda portuguesa de metal com mais sucesso a nível internacional, logo a seguir aos Moonspell. Como se fazia adivinhar, Abyss Masterpiece foi bem recebido no estrangeiro e, desta vez, também em Portugal. Talvez tenha sido o álbum dos Heavenwood que mais deu que falar dentro de portas.
Abyss Masterpiece poderá muito bem resumir a aceitação gozada pelos Heavenwood fora de portas. O universo da banda é bastante próximo ao dos Moonspell, o que não deixa de ser curioso: os dois casos de exportação mais bem sucedidos do metal nacional têm tudo a ver com o universo gótico - algo que, ainda mais curiosamente, é tipicamente britânico. Entrando na perigosa, mas útil, área das comparações, podemos definir os Heavenwood como uns Paradise Lost orquestrados, dada a quantidade de arranjos que vamos encontrando no disco, dando-lhe uma sonoridade ainda mais negra.
Ainda assim, nenhum arranjo orquestral se compara à introdução de voz feminina de "Leonor", que poderia muito bem ter sido retirada de um filme de Hitchcock. Este tom gótico é apimentado com grandes doses de peso, emprestadas por guitarras fortes e vozes poderosas. No entanto, há sempre a outra face da moeda, com muitos refrões arquitectados com base em vocais limpos.
Mais uma vez, é preciso que uma banda faça pela vida lá fora para que seja reconhecida no seu próprio país. Refira-se que foi este o caminho que os Moonspell fizeram. Os Heavenwood recolhem agora alguns dos frutos do trabalho que vêm desenvolvendo ao longo dos anos e, quem sabe, poderão um dia gozar de uma popularidade que gozam hoje os próprios Moonspell. Temas como "Once A Burden" e "Winter Slave" fazem-nos esperar o melhor desta banda.
André Beda

A Análise: Confront Hate - "Diabolical Disguise Of Madness"

Como muitos de vós, conheci os Confront Hate com a sua versão para "Sem Saída", incluída em Covers, Cu & Mamas - um disco de tributo aos Mata-Ratos. Se a versão dos Confront Hate não andava muito longe do original, o poderio deste tema chamou-me a atenção para a banda e para este seu disco de estreia.
Que se faça justiça louvando a qualidade do som do disco. Faço-o neste texto, como poderia fazê-lo em qualquer outro referente aos discos nacionais de 2011. Chegamos a um ponto em que não se distinguem os estúdios nacionais dos britânicos, americanos ou suecos. Nenhuma banda nacional necessitará de gravar no estrangeiro por motivos de qualidade de equipamento.
Seguindo o caminho trilhado pelos Pitch Black, os Confront Hate fazem em Portugal aquilo a que se convencionou chamar «thrash moderno» (ouvir últimos álbuns de Testament, Heathen e Pitch Black). O álbum arranca suave com uma intro, mas logo depois começa a violência. Em termos técnicos não há muito a apontar ao grupo: ouvimos em Diabolical Disguise Of Madness alguns bons solos, ainda que não sejam grandes malabarismos técnicos. "Love Grows Cold" e "Diabolical Disguise Of Madness" são bons exemplos disso mesmo: o primeiro é um instrumental de tom épico muito bem construído e o segundo contém um riff capaz de mandar paredes a baixo. No entanto, Diabolical Disguise Of Madness não se esgota na agressividade. Os Confront Hate revelam no tema que fecha o disco, "Feeling The Silence", uma faceta completamente diferente do que tinha sido o álbum até então, com os vocais limpos a aparecerem pela primeira vez e o som a tomar um cariz mais progressivo. Quando o vocalista David Rosa utiliza o gutural, torna-se difícil não pensar em Randy Blythe.
O revivalismo do thrash já lá vai, mas sempre que sentirem saudades dele podem voltar a este Diabolical Disguise Of Madness. Uma proposta com referências do passado, mas tendo noção que fazem música no presente. Esta banda promete...
André Beda

A Análise: Frankie Chavez - "Family Tree"

Provavelmente este é o disco mais internacional feito por um português em 2011. Frankie Chavez já encantava os fãs de música que todos os dias buscam por novidades - até numa editora com nome de telemóveis que começa por 93 e que tem prestado um grande serviço à música portuguesa -, mas só no ano passado é que os efeitos do seu gigante talento se fizeram notar, quando saiu o seu disco de estreia.
Se em 2009 tinta escorria pelo one-man band Tigerman, dois anos depois chega-nos Frankie. Chavez - não confundir com o venezuelano - revela-se um bluesman na real assumpção da palavra e faz de Robert Johnson e Jimi Hendrix a sua espinha dorsal. As guitarras são as suas bíblias - sempre debaixo do braço. Uma das revelações da música portuguesa demonstra uma devoção à América profunda e ainda é capaz de surpreender, sem seguir os clichés do blues rock. Junta modernidade q.b., limpa os demónios e as histórias mal afamadas e junta um pouco de açúcar latino.
Carlos Montês

segunda-feira, julho 09, 2012

Playlist: Programa 181 (8 de Julho de 2012)

1ª parte:
  1. Public Image Ltd. - "Flowers Of Romance" (The Flowers Of Romance) [1981]
  2. Tortoise - "Along The Banks Of Rivers" (Millions Now Living Will Never Die) [1996]
  3. Bark Psychosis - "A Street Scene" (Hex) [1994]
  4. Slint - "Nosferatu Man" (Spiderland) [1991]
  5. Stereolab - "Mellotron" (Peng!) [1992]
  6. Cul De Sac - "Into The Cone Of Cold" (Crashes To Light, Minutes To Its Fall) [1999]
  7. Mogwai - "Dial: Revenge Feat. Dave Fridmann" (Rock Action) [2001]
  8. Explosions In The Sky - "A Poor Man's Memory" (Those Who Tell The Truth Shall Die, Those Who Tell The Truth Shall Live Forever) [2001]
  9. Pelican - "Sirius" (The Fire In Our Throats Will Beckon The Thaw) [2005]
  10. Tortoise - "The Taut And Tame" (Millions Now Living Will Never Die) [1996]
  11. Battle Of Mice - "Bones In The Water" (A Day Of Nights) [2006]

2ª parte:

  1. Sigur Rós - "Hjartað Hamast (Bamm Bamm Bamm)" (Ágætis Byrjun) [1999]
  2. Tortoise - "Glass Museum" (Millions Now Living Will Never Die) [1996]
  3. Talk Talk - "Eden" (Spirit Of Eden) [1988]
  4. Seefeel - "Polyfusion" (Quique) [1993]
  5. This Will Destroy You - "Quiet" (Young Mountain [EP]) [2006]
  6. Cult Of Luna - "Back To Chapel Town" (Somewhere Along The Highway) [2006]
  7. Neurosis - "Locust Star" (Through Silver In Blood) [1996]
  8. Tortoise - "Dear Grandma And Grandpa" (Millions Now Living Will Never Die) [1996]
  9. Isis - "20 Minutes / 40 Years" (Wavering Radiant) [2009]
  • Artista/Banda - "Nome Da Faixa" (Nome Do Álbum [EP, Single, Compilação, Box Set, Ao Vivo, Banda Sonora, Álbum Remix, ...]) [Ano];
  • Vermelho: Nacional;
  • Preto: Internacional;

domingo, julho 08, 2012

Destaque: Programa 181

A 30 de Janeiro de 1996 era lançado para o mercado o segundo longa-duração da banda de Chicago Tortoise.
Quando passam mais de 16 anos do lançamento de Millions Now Living Will Never Die, um dos mais importantes do movimento Post-rock, o Ruído Alternativo revisita este trabalho e faz-lhe a devida homenagem.
Termo com origem na imprensa musical, o Post-rock surgiu inicialmente para descrever o som de bandas que incorporavam elementos estranhos ao rock. Depressa se tornou um género musical com fronteiras mais ou menos rígidas, graças a grupos como os revisitados Tortoise, Sigur Rós, Mogwai ou Bark Psychosis. Desde que Simon Reynolds aplicou o termo ao disco Hex (1994) dos Bark Psychosis, os pontos geográficos da cena e as misturas com outros estilos musicais (da música electrónica ao metal) têm-se multiplicado.
O Reino Unido e os Estados Unidos foram a base de grande parte do movimento Post-rock que teve a sua primeira grande vaga na década de 90, embora tenha começado a desenvolver-se na década de 80 com a introdução de dub e krautrock ao som dos Public Image Ltd. O jazz, o sludge metal, doom metal, a música ambiente, o shoegaze, o noise rock, o post-punk, o art rock, o minimalismo e o rock progressivo são os géneros aos quais o Post-rock tem bebido desde a sua criação até aos dias de hoje. Um rock experimental com os Velvet Underground como esboço.
Já em 1996, e dois anos depois da criação 'oficial' do termo Post-rock na revista Mojo por Simon Reynolds, os Tortoise lançaram o seu segundo longa-duração, Milllions Now Living Will Never Die. Com este disco o próprio termo Post-rock confundiu-se com a expressão "tortoise-sound" e transformou a própria banda num dos maiores ícones do género, para além de trazer para o mainstream um som de nichos. Este é «O» disco do Post-Rock para ouvir numa emissão especial onde damos conta dos passos de uma das mais recentes derivações do rock para massas.
Destacado:

  • "Along The Banks Of Rivers";
  • "The Taut And Tame";
  • "Glass Museum";
  • "Dear Grandma And Grandpa";

sábado, julho 07, 2012

Antevisão: Programa 181

  • Emissão: 181
  • Artistas/Bandas internacionais: Public Image Ltd., Sigur Rós, Battle Of Mice, Isis, entre outras...
  • Emissão Especial: Álbum Revisitado - Post-rock
Informações Adicionais:
Pós Programa:
Média:
Contactos:

sexta-feira, julho 06, 2012

Ruído Alternativo N'"O Povo Do Cartaxo" (XL)


Hoje, dia 6 de Julho, está nas bancas mais uma edição do jornal local O Povo Do Cartaxo!

Esta semana, no espaço de opinião do Ruído Alternativo, André Beda discute opções estratégicas recentes no mundo da música em "Falta De Visão No País Do Empreendedorismo".

A não perder na rubrica de opinião do Ruído Alternativo n'O Povo Do Cartaxo!

segunda-feira, julho 02, 2012

Podcast: Programa 180

Playlist: Programa 180 (1 de Julho de 2012)

1ª parte:
  1. The Doors - "Hello, I Love You Feat. Douglas Lubahn" (Waiting For The Sun) [1968]
  2. The Black Heart Procession - "GPS" (The Spell) [2006]
  3. Built To Spill - "Distopian Dream Girl" (There's Nothing Wrong With Love) [1994]
  4. Sharon Van Etten - "Serpents" (Tramp) [2012]
  5. Interpol - "Untitled" (Turn On The Bright Lights) [2002]
  6. Feromona - "1991" (Aquelas Três [EP]) [2012]
  7. Plastica - "Arround" (The Red Light Underground) [2004]
  8. Lush - "Superblast!" (Spooky) [1992]
  9. Mission Of Burma - "1, 2, 3, Partyy!" (The Sound The Speed The Light) [2009]
  10. Love Battery - "Out Of Focus" (Dayglo) [1992]
  11. Pagoda - "Lesson Learned" (Pagoda) [2007]
  12. Amor Terror - "Ordinária" (Lista Negra) [2012]
  13. O Bisonte - "Debandada" (Mundos & Fundos) [2012]
  14. The Jon Spencer Blues Explosion - "Black Mold" (Meat And Bone) [2012]
  15. Gallows - "Last June" (Gallows) [2012]
2ª parte:
  1. Iron Maiden - "The Wicker Man" (Brave New World) [2000]
  2. Ferro & Fogo - "Super Homem" (Super Homem [Single]) [1981]
  3. Lou Reed - "Dirt" (Street Hassle) [1978]
  4. Municipal Waste - "The Fatal Feast" (The Fatal Feast) [2012]
  5. Municipal Waste - "You're Cut Off" (The Fatal Feast) [2012]
  6. Smashed Head - "Broken Silence" (Until Our Breath Is Over [EP]) [2012]
  7. Ihsahn - "Recollection" (Eremita) [2012]
  8. Paradise Lost - "Hallowed Land" (Draconian Times) [1995]
  9. Process Of Guilt - "Harvest" (Faemin) [2012]
  10. Men Eater - "Hellstone" (Hellstone) [2007]
  11. Old Man Gloom - "To Carry The Flame" (No) [2012]
  12. Testament - "True American Hate" (Dark Roots Of Earth) [2012]
  • Artista/Banda - "Nome Da Faixa" (Nome Do Álbum [EP, Single, Compilação, Box Set, Ao Vivo, Banda Sonora, Álbum Remix, ...]) [Ano];
  • Vermelho: Nacional;
  • Preto: Internacional;

domingo, julho 01, 2012

Destaque: Programa 180

Sejam bem-vindos a mais duas horas de Ruído Alternativo na Rádio Cartaxo!
Neste programa há a destacar os concertos confirmados em Portugal dos Paradise Lost e Sharon Van Etten e nova música para os Feromona, Amor Terror, O Bisonte, The Jon Spencer Blues Explosion, Gallows, Municipal Waste, Smashed Head, Ihsahn, Process Of Guilt, Old Man Gloom e Testament.
Tudo isto e muito mais para conferir em 102.9 FM Ribatejo ou em radiocartaxo.com para todo o mundo!